O plantio global de culturas biotecnológicas/GM aumentou 100 vezes desde 1996

Países em desenvolvimento, incluindo os novos adeptos Sudão e Cuba, agora dominam o uso da tecnologia

MANILA, Filipinas--()--Pela primeira vez desde a introdução da cultura biotecnológica/GM há quase duas décadas, os países em desenvolvimentos plantaram mais hectares de culturas biotecnológicas do que os países industrializados, contribuindo para a segurança alimentar e para o alívio da pobreza em algumas das regiões mais vulneráveis do mundo.

De acordo com um relatório publicado hoje pelo Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (International Service for the Acquisition of Agri-Biotech, ISAAA), as nações em desenvolvimento plantaram 52 por cento da cultura biotecnológica mundial em 2012, mais que os 50 por cento no ano anterior, e acima dos 48 por cento dos países industrializados no último ano.

O ano passado também marcou um aumento sem precedentes de 100 vezes as culturas biotecnológicas, dos 1,7 milhões de hectares em 1996, quando as culturas biotecnológicas foram comercializadas pela primeira vez, para 170 milhões de hectares. "Isso faz das culturas biotecnológicas a tecnologia agrícola mais rapidamente adotada atualmente", disse Clive James, autor veterano do relatório anual, presidente e fundador do ISAAA.

A adoção de culturas biotecnológicas em países em desenvolvimento tem aumentado de maneira constante ao longo dos anos, finalmente dando a volta por cima e ultrapassando os países industrializados em 2012, um marco antes considerado por muitos como impossível, disse James. Isso ocorre quando o mundo cultiva mais culturas biotecnológicas do que nunca.

"Esse crescimento é contrário às previsões dos críticos, que antes da comercialização da tecnologia em 1996, declararam prematuramente que a cultura biotecnológica era apenas para países industrializados, e que nunca seria aceita e adotada pelos países em desenvolvimento," disse James.

O relatório ressalta a crescente consciência nos países em desenvolvimento sobre os benefícios do plantio das culturas geneticamente modificadas, que não apenas aumentaram a produtividade, mas que também trouxeram economia de combustível, tempo e equipamentos, redução do uso de pesticidas, maior qualidade do produto e mais ciclos de plantio.

De 1996 a 2011, as culturas biotecnológicas contribuíram para a segurança alimentar, sustentabilidade, e mudança climática: aumentando a produção agrícola avaliada em US$ 98,2 bilhões; melhorando o meio ambiente ao economizar 473 milhões de kg de ingredientes ativos de pesticidas; reduzindo, só em 2011, as emissões de CO2 em 23 bilhões de kg, o equivalente a tirar 10,2 milhões de carros das ruas; preservando a biodiversidade ao proteger 108,7 milhões de hectares de terra; e contribuiu a aliviar a pobreza ajudando mais de 15 milhões de pequenos agricultores e suas famílias, totalizando mais de 50 milhões de pessoas que são as mais pobres do mundo. As culturas biotecnológicas são essenciais, mas não são uma panaceia, e a adesão a boas práticas de plantio, tais como rotação e manejo de resistência, é uma necessidade para as culturas biotecnológicas assim como são para as culturas convencionais.

Crescimento sem precedentes

Em todo o mundo, os fazendeiros cultivaram um recorde de 170,3 milhões de hectares de culturas biológicas em 2012, 6 por cento, ou 10,3 milhões de hectares, a mais do que 2011, aumentado o rendimento dos agricultores em todo o mundo com maior produtividade e eficiência.

"Há uma razão principal e inegável que sustenta a confiança dos agricultores na biotecnologia: as culturas biotecnológicas geram benefícios socioeconômicos e ambientais substanciais e sustentáveis," disse James.

Agricultores com poucos recursos são os mais beneficiados

O relatório do ISAAA também confirmou que o índice e a escala de adoção de culturas biotecnológicas em países em desenvolvimento ofuscam os das nações industrializadas. O índice de crescimento das culturas biotecnológicas foi pelo menos três vezes mais rápido, e cinco vezes maior, nos países em desenvolvimento, 11 por cento ou 8,7 milhões de hectares, em comparação com os 3 por cento ou 1,6 milhões de hectares nos países industrializados.

Um recorde de 17,3 milhões de agricultores plantaram culturas biotecnológicas em todo o mundo em 2012, ou seja, 0,6 milhões mais do que no ano anterior. Mais de 90 por cento desses agricultores, ou mais de 15 milhões, eram pequenos agricultores com poucos recursos em países em desenvolvimento. "A falta de segurança alimentar global, exacerbada pelos altos e inacessíveis preços dos alimentos, é um excelente desafio para o qual a agricultura biotecnológica pode contribuir," disse James.

Sudão e Cuba fazem história

Sudão e Cuba plantaram culturas biotecnológicas pela primeira vez no ano passado. Ao plantar algodão biotecnológico, o Sudão se transformou no quarto país na África, depois da África do Sul, Burquina Faso e Egito, a comercializar culturas biotecnológicas.

Enquanto isso, os agricultores cubanos plantaram 3.000 hectares de milho biotecnológico híbrido como parte de uma iniciativa para reforçar a sustentabilidade ecológica e permanecer sem pesticidas.

Dos 28 países com plantios biotecnológicos, 20 eram países em desenvolvimento e oito eram países industrializados, comparados aos 19 países em desenvolvimento e os 10 industrializados em 2011. Aproximadamente 60 por cento da população mundial, ou cerca de 4 bilhões de pessoas, moram nos países que plantam culturas biotecnológicas.

Brasil, a agricultura biotecnológica cresceu 21 por cento

China, Índia, Brasil, Argentina e África do Sul, que juntos representam 40 por cento da população mundial total, plantaram 78,2 milhões de hectares ou 46 por cento da agricultura biotecnológica mundial em 2012.

Pelo quarto ano consecutivo, o Brasil foi o motor do crescimento global em 2012, fortalecendo a si mesmo como um líder global em agricultura biotecnológica. O Brasil perde apenas para os EUA em área de culturas biotecnológicas, crescendo 6,3 milhões de hectares por ano, ou substanciais 21 por cento, para alcançar 36,6 milhões de hectares em 2012, comparados com os 30,3 milhões em 2011.

Um sistema de aprovação científico rápido permite que o Brasil adote novas culturas biotecnológicas rapidamente. Por exemplo, o país sul-americano foi o primeiro a aprovar a soja empilhada com resistência a insetos e tolerância a herbicidas para comercialização em 2013, disse James.

A Índia cultivou um recorde de 10,8 milhões de hectares de algodão biotecnológico, com uma taxa de adoção de 93 por cento, enquanto 7,2 milhões de pequenos agricultores com poucos recursos na China plantaram 4,0 milhões de hectares de algodão biotecnológico com uma taxa de adoção de 80 por cento.

Os EUA continuam sendo o maior produtor mundial

Os EUA continuam sendo o país líder com 69,5 milhões de hectares, com uma média 90 por cento de adoção em todas as plantações. O relatório observa que a seca devastadora de 2012 atingiu várias culturas. As estimativas mais recentes indicam que, devido à seca, a produtividade média em 2012 foi 21 por cento menor para o milho, e 12 por cento menor para a soja se comparado a 2011.

Por outro lado, o Canadá, teve um recorde de 8,4 milhões de hectares de canola, com uma adoção recorde de 97,5 por cento. Os países europeus plantaram um recorde de 129.071 hectares de milho biotecnológico em 2012, mas a Alemanha e a Suécia não puderam continuar com o plantio de batatas biotecnológicas Amflora, pois ela deixou de ser comercializada; a Polônia interrompeu o plantio de milho biotecnológico devido a inconsistências na regulamentação da interpretação da lei com a UE sustentando que todas as aprovações necessárias para o plantio já estavam em vigor, enquanto não estavam.

O desafio permanece

A falta de sistemas regulatórios apropriados, científicos e econômicos continua sendo o maior empecilho para a adoção da agricultura biotecnológica. É necessária uma regulamentação responsável e, rigorosa, mas não onerosa, para os países em desenvolvimento pequenos e pobres, disse James.

"As culturas biotecnológicas são importantes, mas não são uma panaceia," disse ele. "A adesão a boas práticas de plantio, tais como rotação e manejo de resistência, é uma necessidade para as culturas biotecnológicas, assim como são para as culturas convencionais."

O curto prazo parece encorajador, com novos produtos melhorados tais como o primeiro milho biotecnológico tolerante à seca aprovado para o plantio nos EUA em 2013, e também o primeiro plantio de soja empilhada no Brasil e em países vizinhos na América do Sul em 2013. Nas Filipinas, o arroz dourado reforçado com vitamina A poderá ser lançado em 2013/2014, sujeito às aprovações regulamentares. Daqui para frente, é provável que o crescimento global de hectares de cultura biotecnológica seja mais modesto devido à taxa de adoção já alta em todas as principais culturas em mercados maduros, tanto em países em desenvolvimento como em países industrializados, observou James.

Para obter mais informações ou o sumário executivo, visite www.isaaa.org.

O Serviço Internacional para Aquisições de Aplicações Agrobiotecnológicas (ISAAA) é uma organização sem fins lucrativos com um rede internacional de centros designados para contribuir para o alívio da fome e da pobreza compartilhando o conhecimento e as aplicações de culturas biotecnológicas. Clive James, presidente e fundador do ISAAA, viveu e/ou trabalhou nos últimos 30 anos em países em desenvolvimento da Ásia, América Latina e África, dedicando seus esforços à pesquisa e ao desenvolvimento agrícola, com foco na agricultura biotecnológica e a segurança alimentar global.

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Para mais informações, entre em contato com:
John Dutcher, 515-334-3464
ou por email: dna@qwestoffice.net

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